No início, pensei que fosse só medo: medo de voltar a ser magoado, traído, posto de parte... Depois os meses foram passando. Dizias precisar de mim, contavas as inseguranças, as vitórias e tudo o resto que achavas não te colocar em causa, mas não me ouvias. Eras frio. Era isso que mais me assustava em ti, e então percebi que esta gélida temperatura me aquecia o coração e que precisava cuidar de ti, porque estaria a cuidar de uma parte de mim. Como uma criança a aprender a andar, ias-te aproximando. Confiavas 20 e eu demonstrava que deverias confiar 40. Tal como eu, aprendeste a ter-me na tua vida. A não prescindir do meu mimo, da minha atenção, da segurança que sempre te dei. Passei a descobrir-te, a decifrar-te nos silêncios, a conhecer-te nos olhares longínquos. E ia passando o dedo bem de leve na tua mão pousada na minha coxa e tu, do teu jeito desajeitado, lá ias pedindo que ficasse, que te ouvisse, que te cuidasse. O relógio continuava a contar e eu continuei a ...
always believe in magic