dias em que o aperto no peito é maior do que qualquer outra vontade. dias em que a vontade de estar e permanecer só é a única vontade que existe. dias em que apetece afastar o mundo, mandá-lo pra longe. dias em que de tanto chorar, sufoco. dias em que sinto um aperto tão grande no peito... não por ter deixado ir, mas por ter mandado ir o que mais queria que ficasse. um volto já era conclusivo. um volto, tanto praqui ou pra ti, mas voltava. agora não volto, nunca mais volto. há coisas que não tem de ser assim: precisam de ser assim.
Gostava que voltasse o meu eu que ficou lá por não sei onde. Gostava que ele voltasse, e ficasse. Não gosto de viver aqui, neste corpo tão despido. Não sou eu. Eu fui-me, ou fiquei por aí. Gostava de voltar a ser eu. Gostava de voltar a encontrar o meu sorriso na rua, e, desta vez, roubá-lo. Gostava que as pastilhas, em vez de serem para a cabeça, fossem para o coração... mas não para o meu porque esse já não existe, já não pode existir. Deu lugar a uma pedra, um bocado de granito pouco laminado, pouco interessante, pouco qualquer coisa. Tal como eu me tornei assim: um pouco qualquer coisa.
Se doí? Não deixa de doer. Não deixa dormir. Não deixa comer. Não deixa viver, simplesmente? sufoca. estes em que vivo são assim: cinzentos. tão monocromáticos, tão insípidos, tão vazios. tão sem mim.