avô, já não consigo contar pelos dedos os anos em que não te tenho ao meu lado. Longe vão os anos em que realmente tive alguém que se preocupava comigo, alguém pra quem eu significava o mundo, alguém que não precisava de palavras para saber o que eu pensava ou para eu saber o que tu pensavas. O teu brilho nos olhos quando olhavas pra mim era simplesmente único, e, se por breves momentos eu pudesse ter isso de volta, ganhava o resto dos meus dias. Para ti, sim, para ti eu fui única: a única que te preencheu, que te orgulhou, que nunca desistiu. Venho hoje dizer-te que esta luta constante torna-se cada vez mais difícil de combater, e que as forças que sempre me disseste que eu teria estão a escassear. Já não me sinto capaz de muito mais. Sinto-te longe e, ao mesmo tempo, cada vez mais perto. Eu era realmente feliz contigo do meu lado. Porque te foste embora e me deixaste? Porque me deixaste sozinha a combater tudo isto? Porquê? Não podias, pelo menos, esperar um bocadinho mais por mim? Estou revoltada, sozinha... e tu fazes-me falta. Faz-me falta o teu toque, o teu olhar, o teu mimo e o teu colo. As lágrimas, essas já não as seguro. Assim como já não seguro mais nada. Deixei tudo ir embora, e o que não foi, eu afastei. Fiquei com recordações, memórias e um sentimento que guardo com a minha vida. Um daqueles do qual um dia falamos. Daqueles fortes e indescritíveis, que nos dão força em dias de derrota e que nos fazem querer ser mais e melhor. Daqueles que nos preenchem. Daqueles sentimentos que temos por alguém: alguém que mudou as nossas vidas. A tua quem a mudou foi a avó. A minha, foi ele. Ele. Não sabia que isto era assim. Esta parte tu não me contaste, não me contaste que nem todas as histórias tem um final feliz como a tua. Não me contaste que eu o ia afastar por o amar. Não disseste que eu ia ver o mundo em alguém, como tu vias o mundo em mim. Não contaste! Não contaste porque sabias porque há batalhas que nunca terminam. Mas olha, desta vez, venho eu dizer-te que esta tem que terminar. Tem que terminar, mesmo que ele seja a metade de mim, mesmo que este sentimento seja o mais puro que alguma vez senti. Porque sim. Porque eu sinto a tua falta e não consigo mais. Porque eu não quero nem mais um segundo sem ti, e porque eu preciso de te ter de novo. Preciso do teu abraço. Preciso que me digas que eu sou importante pra ti e que nunca ninguém vai substituir-me. Preciso que voltes já, ou que me venhas buscar. É isso, vem-me buscar, por favor. Desta vez cortaram-me as asas. e eu preciso de ti.
O que fazemos ao amor quando não lhe podemos tocar? Quando não temos forma de materializar tudo aquilo que nos invade a alma? Quando não temos o beijo, o abraço, aquele toque tão característico? Aquele que é, sem dúvida, o veículo que nos ajuda a fazer os outros perceberem que gostamos deles, que nos são queridos e que os queremos ali, bem perto de nós. Queremos tocar, porque sentimos, porque o SENTIR e o SER são o combustível da alma. E é, precisamente aí, que gosto de tocar em cada um, em cada pedacinho de ser que amo. Sentir o amor em nós é um ato de muita responsabilidade. É muito especial quando amamos alguém... Quando alguém nos dá a capacidade para voar (mesmo sem asas), para ser (mesmo sem ter), para sonhar, para ter e conquistar. Não gosto de pensar no amor como uma luta, mas como uma construção diária. Todos os dias temos as coisas boas, os sorrisos, as brincadeiras.... mas também temos os dias maus, o mau humor, a palavra mal dita, o...