lá fora chove. o dia está triste e... as nuvens carregadas. Identifico-me com este tempo. É assim que sou, pelo menos desde há uns tempos. A vontade de sorrir há muito que não existe. Há muito. E a paz que tanto procuro... essa, foge sempre de mim. Foge, como tudo acaba por fugir. Como... se eu fosse uma coisa complicada demais para se amar. Como se doesse olhar para mim, dia após dia. Como se fosse impossível descobrir em mim uma nova coisa para amar todos os dias. Como se fosse uma coisa que pode ser disposta numa prateleira e que vai ganhando pó com o tempo. Sinto-me assim, nada. E olhando pela janela, o tempo continua igual. Tão igual a mim. Tão escuro. Tão sem sentido. Pra vida só tenho questões: porquê?... porque é que tenho que ter zero em tudo o que faz a minha vida? Não podia existir apenas uma coisa que me fizesse querer agarrar a vida? Não peço muito. Peço uma. Já que tudo me tiraram.
O que fazemos ao amor quando não lhe podemos tocar? Quando não temos forma de materializar tudo aquilo que nos invade a alma? Quando não temos o beijo, o abraço, aquele toque tão característico? Aquele que é, sem dúvida, o veículo que nos ajuda a fazer os outros perceberem que gostamos deles, que nos são queridos e que os queremos ali, bem perto de nós. Queremos tocar, porque sentimos, porque o SENTIR e o SER são o combustível da alma. E é, precisamente aí, que gosto de tocar em cada um, em cada pedacinho de ser que amo. Sentir o amor em nós é um ato de muita responsabilidade. É muito especial quando amamos alguém... Quando alguém nos dá a capacidade para voar (mesmo sem asas), para ser (mesmo sem ter), para sonhar, para ter e conquistar. Não gosto de pensar no amor como uma luta, mas como uma construção diária. Todos os dias temos as coisas boas, os sorrisos, as brincadeiras.... mas também temos os dias maus, o mau humor, a palavra mal dita, o...