Tu sabias. Tu sempre soubeste. Durante mais de 12 anos sofreste em silêncio. Não reclamaste atenção, carinho ou amor. Limitavas-te ao teu canto. A avaliar, constantemente, quem se importava contigo. Participavas em tudo, porque tinhas medo que tudo poderia ser a última vez. Comigo, estiveste no inicio, durante e no fim de todas as caminhadas. Foste uma parte fundamental na concretização dos meus sonhos. E sabias que ias ser uma parte deles. Sabias que ias ser meu doente. Mas a ti, eu não consigo. De ti, não consigo desistir. Não consigo não ver mais opções. Não consigo dizer que já chega. Tu conheces-me! Sabias que me ia mexer. Sabias que não te ia deixar sozinho. Sabias que era eu que ia ao teu armário descobrir a verdade, porque o resto estaria preocupado com o dinheiro que tinhas debaixo do colchão ou com tudo o resto que, pra mim, tanto faz. Tu sabias que era eu. Diz-me porquê? Porque é que gostas do gelo que são as minhas mãos? Porque te despedes de mim todos os dias? Porque me ligas a meio do trabalho para que não me esqueça de ti? Eu não esqueço. Isso não é possível! Se me conheces, devias saber que não desisto, não de ti. Tu sabias. Tu sempre soubeste. E aproximaste-te de toda a gente. Entraste na vida daqueles que te deixaram. Permaneceste. Quiseste juntar toda a gente. E cada vez, sempre mais. Porque começavas a achar que 12 anos seria muito tempo. E tinhas razão, avô. E ele pode levar-te, porque eu sei que vai, ele leva-te de olhos fechados... Mas comigo sempre vais ficar, de olhos bem abertos, de coração sempre aberto, de abraço bem aberto... e de sorriso marcado. Porque sempre, é assim que me quero lembrar de ti.
Tu sabias. Sempre soubeste. Não me disseste porquê?